11.7.05

Visto

Colisão/Crash
Este filme gera em mim sentimentos contraditórios. Foca o racismo de uma forma pouco habitual. Por um lado bom. Mostra que todos nós somos racistas, todos nós podemos ser monstros e anjos, basta para isso estarem reunidas as condições necessárias e suficientes para que isso aconteça(piada/expressão matemática...). HOje podemos ser potenciais violadores e amanhã salvamos alguém dum carro em chamas. Mostra não só o racismo entre brancos e pretos mas tb o racismo entre as diferentes comunidades. Mostra a hipocrisia dos burocratas nos seus gabinetes luxuosos.
Por outro lado senti uma certa repulsa por este filme, que ao mesmo tempo senti que podia ter a sua vertente moralista. Há uma série de cenas para as quais eu não encontro explicação. Há uma criança que não morre, há um preto rico que deita tabuas para um carro a arder, há um abraço duma senhora da alta sociedade à sua empregada hispânica, etc. Dá a sensação que existe sempre uma solução para o mal e para o ódio, que existem sempre respostas, que existe o que é correcto fazer, que existe o certo e o errado.
Por outro lado vislumbrei uma tentativa de justificação do ódio gerado pelo racismo, a meu ver muito errado. A justificação foi através duma conversa telefónica da personagem da sandra bullock com uma suposta amiga bem dela. Ela justificava assim: eu pensei que o meu sentimento de insegurança desaparecesse pela manhã, mas não eu levantei-me com o mesmo ódio e agora percebi pq, pq me levanto todos os dias assim. A minha interpretação é que ela tentava justificar o racismo com a conversa do género: nós odiamo-nos pq levamos vidas de merda, vidas ocas e sem significado, não sabemos pq vivemos, qual o nosso objectivo, vivemos frustrados de não sermos quem gostaríamos de ser, frustrados de não sabermos sequer o que queremos e estes sentimentos transformam-se em ódio pelo próximo (utilização de uma expressão da biblia...fica bem...) .
Para mim é errado esta suposição, a minha modesta tentativa de explicação fica-se pelo medo do desconhecido, do diferente, dos nossos instintos básicos de sobrevivência, reages violentamente e de forma defensiva para te defenderes do que não conheces, defendes-te dum suposto ataque.Sem com isto defender o que quer que seja, é para isso que somos racionais.

4 Comments:

At quarta jul. 13, 11:10:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

acho que nós nos esquecemos que somos animais... ficámos presos naquela cena da "racionalidade".
sabes..

a ana do 2º esquerdo

 
At sexta jul. 15, 08:25:00 da tarde, Blogger esquizoide said...

adorei o filme p acaso...

queria só comentar em relação à conversa da sandra bullock... sim ela estava a justificar, mas sim é mesmo essa a justificaçao. Não é por não o desculpar q deixa de ser uma justificaçao :)

Pensa assim: qual o motivo para empregados de funçao publica serem tao antipáticos, mal-educados e arrogantes?!... ;)

 
At domingo jul. 17, 12:08:00 da manhã, Blogger Pequenos Nadas said...

não concordo ctg sobre a justificação.
Acho sim que essa justificação pode servir para os funcionários da função pública não serve para justificar o racismo que existe. Que é um assunto de uma maior complexidade.

 
At domingo jul. 17, 09:41:00 da tarde, Blogger esquizoide said...

ok, entao n brincando c o assunto para q me leves a sério: obvio q as pessoas agem de acordo com o seu proprio estado de espirito... alguma vez viste uma pessoa feliz a sequer fazer uma cara feia? purgamo-nos todos uns com os outros... isso n desculpa nem legitima o racismo ou qualquer forma de agressao ao outro, mas é o motivo pelo qual ela se opera... e isso é incontornável.

 

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